4.2.08

Poema

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

2 comentários:

Ácido Cloridrix HCL disse...

Uiii,,, e ninguem deixa uma palavrinha sequer,,, um comentáriozinho a este belo poema??? Que pena!!! LINDOOOOO,,,, HCL

P.S. - Já agora,,, gostaria de te convidar a participar,,, e estritamente para fins científicos,,, e por curiosidade claro,,, estamos a fazer um levantamento, que se pretende rigoroso, de forma a apurar o tamanho médio do pénis,,,, agradeço a participação em: http://sexohumorprazer.blogspot.com/2008/02/questo-delicada-o-tamanho-do-pnis.html ... HCL

A Flor disse...

Como tudo o que Fernando Pessoa escreve.... lindo! Não conhecia... será que ele era crente?

Beijokinhas da Flor :)